Estamos na época das feiras de casamentos. Aqui em Brasília, já rolou o Noivas e Eventos, no início do mês. Foram quatro noites de exposição, com desfiles, palestras, brindes e quilos de panfletos distribuídos. Daquia pouco é a vez do Luxo de Festa, que deverá seguir o mesmo esquema.
Não sou muito de dar conselhos, porque não acho que sei o que é melhor pra todo mundo. Mas hoje vou abrir uma exceção. Noivinhas (e noivinhos): NÃO VÃO A ESSAS FEIRAS. Sério, na moral. Não vão. É UMA CILADA!
"Ah, não, Elisa! Essas feiras são mega úteis pra conseguir contatos e conhecer os profissionais do mercado! Além disso, tem desfile de vestidos! <3<3<3"
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Noiva-símbolo (desculpem, não conheço a dama). |
Ô, bem. Você tem razão, mas tá olhando a coisa pelo lado ingênuo. Eventos como esse têm um alvo: o seu coraçãozinho deslumbrado. O objetivo é, sim, proporcionar o encontro com o maior número possível de profissionais casamenteiros, mas não pra te ajudar, e sim para
criar desejos em você.
Explico: você sabe que o casamento é, fundamentalmente, feito de desejos, né? Ninguém
precisa casar. Basta morar junto uns aninhos pra ter união reconhecida legalmente. As pessoas casam porque querem, porque desejam, porque sonham. Essa diarréia das nossas carteiras na fase dos preparativos tem como único motivo a realização das nossas fantasias. E tudo bem! Não tenho nenhum problema com gastar dinheiro pra realizar meus sonhos! É pra isso que dinheiro serve, ou não? (Bem, também serve pra garantir a nossa sobrevivência, mas, resolvida essa parte, o que sobra é pros desejos.)
Mas é aí que entra a estratégia da famigerada indústria do casamento. Sabendo que tudo é questão de
querer, ela (a indústria) se esforça para plantar o maior número de desejos possível nas cabecinhas casadoiras. Experimenta: pega o conceito inicial do seu casório, guarda e vai a uma dessas feiras. Eu te desafio a sair de lá achando que ele ainda tá bom demais. Depois de ver a orquestra sinfônica de músicos fantasiados, as lagostas gigantes servidas em cubas de cristal, as limusines e carruagens, os bolos obras-de-arte, a papelaria super sofisticada e combinandinho (identidade visual é muito importante, queridinha, já tinha pensado nisso?) e toda aquela enxurrada de apetrechos e serviços não-fundamentais, mas OMG!-tão-maneiros, duvido que você não acrescente nada à sua lista de desejos.
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Apresentação da orquestra da Toccata. |
E, é claro, com grandes desejos, vêm grandes despesas. Cada profissional vai fazer de tudo pra te convencer que vale a pena você aumentar seu orçamento pra incluir o produto dele, porque, afinal, "é o seu dia", "você merece", "o casamento tem de ser do jeito que você quer", "você tem que causar algum impacto nos seus convidados", "você não quer se arrepender de não ter feito isso, quer?".
Então, fofinhas (e fofinhos), ouçam a titia: se conseguirem segurar a curiosidade (e a vontade de fazer um programa noivístico), passem longe das feiras de casamentos. Sua sanidade e seu bolso agradecem!